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Frase do dia, por Janio de Freitas


 (...) Não foi só a Saúde nem é só a Educação. É o governo todo. Quem o diz é o próprio Bolsonaro, por exemplo, em recente reunião com as cúpulas evangélicas no Alvorada: “Eu dirijo a nação para o lado que os senhores assim desejarem”. Ressalve-se que era meia verdade: ele dirige a nação para o lado desejado pela corrente mafiosa entre os evangélicos, entre os empresários, entre os políticos e entre os militares.

Janio de Freitas - jornalista com jota maiúsculo, diferentemente da maioria dos profissionais do GAFE (Globo, Abril, Folha, Estadão) que fazem jornalixo.

Duas faces da mesma moeda? por Rafael Patto

O jornalismo brasileiro é uma das coisas mais patéticas e previsíveis que eu conheço.

O rebuliço que está se fazendo por conta de declarações do Lula em entrevista ao El País que, descontextualizadas, poderiam dar a entender que ele, Lula, seria um "simpatizante" de governos de esquerda com pendores autoritários (como o de daniel ortega na Nicarágua) é mais uma prova do quanto a imprensa brasileira não aprende com seus próprios erros. Essa orientação conservadora e vocação golpista dos veículos tradicionais da imprensa tupiniquim é que criaram as condições atmosféricas para que descambássemos até onde estamos hoje, sob um governo que ameaça diuturnamente as instituições desse país, entre elas a própria imprensa.

Querem pintar Lula como um extremista de esquerda, tanto quanto bolsonaro é um extremista de direita.

Sério: estamos em 1989? Trinta e dois anos atrás, quando Lula era relativamente uma "novidade" no xadrez político nacional, até daria para emplacar a ideia de que ele representava uma ameaça radical. Só que, desde então, ele disputou cinco eleições. Venceu duas. Governou por oito anos. Fez sua sucessora, que governou por outros cinco anos, até ter sofrido o golpe parlamentar que a destituiu do cargo com a ajuda dessa mesma imprensa e desse mesmo "jornalismo". Em treze anos de governos do PT, que dia Lula ou Dilma deixaram entrever algum tipo de assanhamento autoritário? Que atitude de seus governos sugeriria ainda que veladamente alguma intenção ou algum projeto extremista?

Francamente, estamos atravessando o pior momento da nossa história desde a ditadura e o "jornalismo" brasileiro tem a capacidade de tratar Lula e bolsonaro como "duas faces de uma mesma moeda"?

Para quem a imprensa brasileira pensa que está falando? Para o público de 1989, tempo em que até o famigerado muro de Berlim ainda estava de pé? A desconexão do jornalismo brasileiro com o momento histórico que estamos vivendo só não é ainda mais criminosa porque a audiência dessa imprensa caduca vem minguando a cada dia.

Essa conversa de que Lula e bolsonaro são extremistas só atinge a uma parcelinha diminuta dos brasileiros que, mesmo tendo se beneficiado muito na década passada e mesmo estando sofrendo perdas recentes no padrão de vida, ainda sentem "nojinho" de reconhecer que Lula foi o melhor presidente da nossa história. Mais um tipo de negacionismo, este alimentado por preconceitos fossilizados.

Ao fabricar e vender esse discurso de que Lula e bolsonaro representam a "mesma ameaça autoritária", a imprensa insiste em apostar na fracassada ideia da "terceira via". Ridículo! Não existe terceira via. A questão que está colocada para os que não se situam em nenhum dos polos é: eles entenderão o ponto de inflexão civilizatória que estamos vivendo e saberão se posicionar do lado que já mostrou que sabe dialogar e que já provou por A + B que tem respeito pelas instituições e apreço pela democracia, ou posarão NOVAMENTE de isentões, se omitindo no combate ao campo que atua como uma seita fundamentalista, uma quadrilha criminosa que se vale da violência até mesmo como linguagem?

Quando formos contar para os nossos netos a história desses dias de hoje, como iremos nos situar nesse enredo? E não vai adiantar contar a história em terceira pessoa. Mais cedo ou mais tarde, a criança saberá de que lado estivemos, o que fizemos e não deveríamos ter feito, ou o que não fizemos e poderíamos ter feito.
Rafael Patto